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    20/02/2016

    Angola saiu da "lista cinzenta" internacional e volta a poder comprar dólares

    O órgão que zela pela prevenção no
    que respeita ao combate ao
    branqueamento de capitais e combate
    ao terrorismo tirou Angola da ‘lista
    cinzenta’, o que descomprime o
    acesso da banca à compra de dólares.
    Angola saiu da ‘lista cinzenta’ do
    Grupo de Acção Financeira contra a
    Lavagem de Dinheiro e Combate ao
    Terrorismo (GAFI), pelo que os
    bancos angolanos vêm novamente a
    sua vida facilitada no que respeita à
    compra de notas de dólares no
    exterior. A avaliação consta do
    relatório da GAFI, depois da visita de
    um grupo de trabalho desta
    instituição em finais de Janeiro
    último, para apreciação in loco da
    capacidade de Angola em cumprir
    com os pressupostos impostos para
    o combate ao branqueamento de
    capitais e financiamento ao
    terrorismo, esclarece uma nota do
    Ministério das Finanças.
    Durante os dois dias de avaliação, o
    GAFI manteve encontros com
    membros do Governo e do Grupo
    Nacional de Peritos para Prevenção e
    Combate ao Branqueamento de
    Capitais e Financiamento ao
    Terrorismo, no sentido de aferir o
    compromisso político do país em
    levar adiante tal desiderato, bem
    como o nível de coordenação de
    acções, capacitação e
    implementação existente entre os
    vários intervenientes no processo de
    combate ao BC/FT.
    De acordo com fonte da banca
    contactada por OPAÍS, o facto do
    sistema financeiro do país ter saído
    da chamada ‘zona cinzenta’ do GAFI
    comporta várias vantagens, a menor
    das quais não será a redução do
    risco para as instituições
    estrangeiras que trabalham com o
    sistema financeiro nacional. ‘Cria
    condições para ter acesso à nota
    física mas depende da decisão de
    cada banco lá fora, ou seja, se os
    bancos no exterior já estão dispostos
    a prestar serviços de exportação de
    dólares. É muito importante que
    estejam para voltarmos a ter acesso
    à nota física’, referiu a fonte. Refira-
    se que o serviço de compra de notas
    no estrangeiro é um ‘serviço de
    volume’, sendo pois necessário
    justificar o custo de transporte.
    OPAÍS sabe que há entidades que
    estão a tentar prestar esse serviço
    com um custo muito alto. Mas, em
    todo o caso, a avaliação do GAFI
    dissipa muitas nuvens. ‘A restrição
    do acesso à compra de dólares
    acabou por ter um impacto
    psicológico muito grande pois as
    bancos o que fizeram foi restringir o
    acesso à nota física. Não sabiam
    quais eram alternativas e quando
    poderiam importar outra vez. As
    restrições aos levantamentos tem
    muito a ver com isso’.


    Há ainda a questão da credibilidade,
    sublinhada nesta página pelo
    presidente da Associação Angolana
    de Bancos (ABANC), Amílcar Silva.
    ‘Os bancos angolanos passam a ter
    condições para fazer mais negócios,
    tanto no que respeita ao acesso à
    banca correspondente, o que era um
    aspecto crítico, como ao ‘cash-
    service’. Não sei se terá um efeito
    imediato, vamos ver agora as
    reacções. Recorde-se que a compra
    de dólares deixou de carecer de
    autorização prévia do BNA desde
    2015 e informam depois o BNA.
    Os bancos angolanos mantém uma
    conta nos bancos correspondentes e,
    quando precisam de notas de
    dólares, solicitam aos bancos
    correspondentes, que debitam aquela
    conta no montante em notas
    pretendido. Estes últimos põem uma
    conta em trânsito durante um
    determinado período. Com a crise
    actual, os saldos nos bancos
    correspondentes reduziram-se.
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